quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cartas pra ninguém

Ela acordara diferente naquele dia, sentia como se uma parte dela começara a entrar em decomposição, sentia como se a cada segundo mais e mais minúsculas partes de si iam desaparecendo. Ao tocar primeiramente o pé direito ao chão, como de costume, ela olhou em direcção a janela, um vento frio soprou seus em seus cabelos, e ela, então, sorriu contemplando o dia que nascera tão bonito. Eras 6:35 e já estava de pé, após o banho, começara a se arrumar... mas não como sempre fizera... apenas um lápis delineando os olhos e um brilho nos lábios. Seria um dia normal, se não fosse um detalhe. Ela não pensou nele a manhã toda. Não desejou ter ligado, não lembrou dele quando passava por casais. Talvez a primeira vez que isso acontecera desde quando ela se descobriu tão apaixonada. Ela mesma ficou surpresa, quando se deu conta do que o acaba de acontecera, sentiu-se mal... como se uma dor começasse a dar sinal de vida, e por alguns segundos ela parou; respirou; andou. Voltara pra o mundo da realidade, triste realidade quando se ama, quando o que se ama não está ao lado. Uma lágrima caiu, quando ela lembrou que faltava apenas 10 dias. Não parou de pensar nisso até chegar em casa.
Deitou-se a fim de descansar mas não adormecer, entretanto, nossa apaixonada acabou dormindo, e como não era mais surpresa sonhar com ele, esse seria mais um de tanto sonhos que ela já tivera com ele, ou não. Um lugar tão verde, sentada em baixo de uma árvore com o livro que estava a ler, então ele apareceu, com aquela sua calça xadrez, seu all star preto e uma blusa branca, ela o viu, sorriu; levantou-se deixando o livro cair... já não se importara mais com nada, 'afinal ele estava bem ali na sua frente', abrindo os braços esperando receber o abraço dela. O abraço foi o mais apertado e caloroso que já tinham se dado, parecendo uma espécie de despedida, mas nada mais importava... 'afinal ele estava abraçando-a'. Eles giravam feito um pião, acabaram por cair no chão, a grama alta e fofa amorteceu a queda, então os olhares ficaram fixos os lábios foram se aproximando, até que se tocaram. Começava a chover, o seu livro em baixo da árvore começava a ficar encharcado, o seu vestido branco já estava com a cor da lama no chão, mas nenhuma coisa importava... 'afinal ele estava beijando-a'. E o beijo foi o melhor de toda a sua vida, nunca sentira tão amada. Ele então
levanta-se e diz: ADEUS, e sai correndo... tão rápido que ela jamais o alcançaria, então ele some, sem olhar pra traz, enquanto ela chorava e gritava que o amava... e quando a voz quase não saiu, ela disse que esperaria por ele o tempo que fosse necessários, e chamando por ele ela acorda! Chorando, pega um papel e uma caneta e começa a fazer rabiscos, tentando expressar tudo o que sentia, e enquanto as lágrimas iam manchando os tais rabiscos, amassara e começava tudo de novo, e começava, e começava... quando parou para olhar em volta... o chão já estava repleto de bolinhas amassadas; e pra ela nunca estava boa, e tornava a jogar fora... e jogava fora. E como essa historia parece tão real, é a minha história. Saudades.

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